quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Não para de chover;

e o tempo abafado se torna perdido com tanta água, os pensamentos lúcidos tornam-se insípidos. Cada pequena gota irritante toca minha pele como uma seção de apicultura numa sensibilidade profunda. O vento frio que entra sorrateiramente pelas pequenas gretas da janela é incômodo. Cada pequena gota irritante que toca o chão transparece um som cada vez mais forte e perceptível! E meus olhos pouco a pouco transformam-se no reflexo do céu. Sem motivo. 
Adoro o cheiro de vida, terra molhada, ância por um outro sol. Adoro a tranquilidade apenas desse som irritante, ar de enfado quase tão bom. Cansaço aos espasmos. Solidão - já não tão apreciada assim.
Me sinto só em tempo de chuva, sinto em cada gota vinda do céu um desalinho dos meus olhos. Anyway; bem que poderia ser como nos filmes: dois pés passando sobre os meus, não impedindo de qualquer forma um arrepio; uma mão aninhando minha pele, e suspiros quentes no pescoço. O nariz já não fica mais gelado, o corpo se envolve numa dormência sem nome. Não custa sonhar, e adormecer sonhando. Amando o desconhecido, o tão esperado e distante. 
O barulho da chuva diminui, perdida em tantas cobertas. São tantas, talvez assim possa preencher o lugar vazio ao meu lado, as lembranças miúdas e planos mal colocados. Paro de pensar aos poucos, não me irrito mais com  o barulho ou a roupa molhada. 

Durmo...

Um comentário:

Loh ;) disse...

que lindoo e profundo!
e que pequena você pra tanta profundidade! hahah
só uma coisa.. e desde qndo pode-se dar ao luxo de queixar-se de chuva no kiau? ahah
não se podee!!
textinho: seu lindo! parabéns! <3