sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Deixa estar

A sede de independência só aumenta diante da repressão de quem me cerca. Junto a ela vem a inesperiência e súbita coragem de viver "só". É como um sonho enfatizando um pesadelo, no qual eu espero afanada por uma fase da vida que, já me aviso de antemão, não vai ser nada fácil. Enfim, como era bom quando os problemas giravam em torno das bonecas quebradas e apenas um colo e um carinho de pai e mãe bastavam, se tornaram tão miúdos perto do que vem pela frente, e se serve de consolo nem o colo terei por perto. - Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada. - caio f.


Acordo longe de casa todos os dias, cercada de amigos e um êxtase, uma veemência inexplicável, mas respiro aliviada porque sei que mesmo longe eu tenho meu canto, uma família que é só minha e uma rotina para retomar. Sempre busquei liberdade, sempre tive liberdade, alma viajante, coração independente mas que apesar de tudo tinha alguém para me apoiar. Continuará por 90 dias, por mais um fim de primavera e início de verão. e depois? Quilometros de distância sentirei apenas brotar um equilíbrio frágil. O frio na barriga da instabilidade e o rancor expresso por ironias pouco elucidativas da convivência com pessoas de muita perplexidade. Continuarei inquieta, ciumenta, docemente agressiva, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. 

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