Suspiro. Uma, duas, dez vezes. E do nada ela percebe seus sentidos mais aguçados. Sensibilidade a flor da pele. Se sente só; e como poucas outras vezes, vê seu próprio sentimento virar pó. Uma lágrima desce até seus lábios entre-abertos e mistura-se com as gotas da chuva. O vento bate no seu rosto molhado, molhado de chuva, de dor, de desespero. O ar lhe falta sempre nos momentos inesperados, junto da ideologia que ela sempre pregou. De que adiantam momentos lindos, de quase-amor, momentos que destacam-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. De que adiantam palavras soltas, ou atitudes dispersas de carinho se tudo será perdido. Ela então, deixa-se levar. Aquele pó vai com o vento; e recomeça.
DE-CEP-ÇÃO. Era assim que resumiam sua vida. Ela preferiu assim, usar dos acontecimentos seu álibi. Voltando no tempo - que ainda se faz um pouco presente - ainda nova já havia vivido muito. Envolvera-se muito a fundo com a vida. Tão logo após, essa palavra ''amor'' lhe ocorreu, ela a rejeitou. Quase. Se envolveu um pouco, se sentiu segura. Era bom pra ela poder sentir outra vez. Tão rápido. Sem caber ao menos um pensamento sequer.
Talvez seja por isso. Pela pressa de um recomeço. Pela busca descabida de um amor. Pelo desespero de ficar só até o fim. Pela carência de carinho, de olhares, de toques. Talvez seja por erro próprio. Tinha fracassado, como tantas vezes pensava, porque não conseguira se desligar totalmente do passado pra viver tamanha intensidade que buscava na vida. Consequênsias são dobradas quando há intensidade. Então talvez fora melhor assim, no começo, antes que ela tenha se ligado completamente ao sentimento que tanto buscava.
De tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas, com suas mudanças, sua extraordinária irracionalidade. Ela que se mostrava sempre forte deixa então escapar sua realidade quando percebe-se de fato viver em puras ilusões. Não havia amor ali, não haviam sentidos. Mas ainda assim, acreditava. Confiava na capacidade de contornar e ser feliz. Mesmo que sofra pela... espera, os sofrimentos tornaram-se incontáveis. Enfim, a vida é o que as pessoas aprendem. E mesmo tirando uma lição de toda aquela sua SINA, ela só queria poder seguir, mesmo que sozinha, mesmo sem outra mão sobre a sua. Ela queria seguir, sem brigas, e se sentir no mínimo além do razoável. Sentir uma traição já não era novidade, muitas vezes essa dor é até aceita. Dessa vez não. Pobre moça, é vencida pelo cansaço.
A chuva passa, seus olhos se fecham, e nem mais uma lágrima desce.
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