domingo, 30 de janeiro de 2011

(Re)Começo.

Pra falar a verdade não esta tudo tão bem assim. 
Enquanto sinto meus olhos umedecidos penso que em surto repentino de coragem e responsabilidade, que pouco me habitam, terei que estar só, mais do que hoje. Sem ter ou poder que depender de mais ninguém. 

É tão pouco tempo pra vida da gente mudar tanto. Vai faltar um abraço de mãe quando houver um desentendimento, uma rápida compreensão quando as únicas palavras entrecortadas que soltarei soariam para qualquer outro tão pouco elucidativas. E os problemas? Não vou ter meu pai pra encaixar perfeitamente a cabeça das minhas bonecas quando eu arranca-las sem explicação alguma. Quisera eu que fosse este meu maior problema. 

Saudade, um dos sentimentos mais urgentes que existem, 


Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Sabe Mãe, agora já posso entender o seu medo de me deixar sair, criar asas e enfrentar sozinha o mundo la fora. É tudo tão traiçoeiro, tudo tão sem alicerce. Eu realmente não tenho pra onde correr, mãe, não tenho quem me traga um miúdo copo de leite pela manhã, um misto quente pronto cortado ao meio, nem ninguém que me conte da vida, que reclame dos problemas - e como tu reclamara - mas que também comemore quanto tudo está indo bem.

E pai, como você tinha razão quando dizia o quão seria bom continuar em baixo das tuas asas a vida inteira, sem precisar temer as trovoadas ou sequer enfrenta-las, de ficar sem saber o que fazer quando falta luz - não me arriscarei a brincar em baixo das cobertas sozinha. Era tudo tão manso pai, tão cômodo. 


Mas se quer saber, sou mais forte do que penso, mais independente do que preciso! Já perdi alguns amores, enterrei um amigo, venci etapas. E essa é mais uma etapa, uma prova de resistência na qual sei que vou me sair bem - mesmo sem o cheiro de café quente dos domingos e gritos insanos de desespero por coisas bobas. 

Bom mesmo era o tempo em que uma voltinha de carro já era o suficiente para dormir; que eu sentava no colo da minha mãe e me sentia unica; tempo em que as estórias eram tão lindas e reais! 

Mas mãe, a gente cresce! Filhos nascem com a missão futura de voar e criar uma vida própria, uma família própria, com um ideal: tornar inadmissível a transformação de lembranças em pó. E na ausência de vocês, os trago ao presente e imagino o futuro com todos juntos, com risadas gostosas e piadas internas, brigas insignificantes e algumas poucas lágrimas - porque não?

Pai, aprendi com você isso: sufocar a saudade pra que de repente ela pareça menor. Até que se esqueça, até que não machuque, até que vire tranquilidade, paz. Mas não torna. Sufoca, mata! E se repararem bem, e estou em todos os lugares dessa casa, em todos os bares da cidade, em todos os beijos, os sorrisos... Estou em vocês!

Lágrimas de tristeza não são necessárias, as de alegria sim, de saudade talvez. 

"Saudade é amar um passado que ainda não passou.. Mas lembrar-se com saudade é como se despedir de novo."

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