Segundo dia. Acordei com sensação estranha, ampliava-me na boca aquele gosto doentio de ferrugem, corrimão de escada velha. Ao adormecer nem sequer vi o dia perdendo a cor, quando me dei conta já estava ressurgindo - como de praxe, aquele sol preguiçoso deixando pouco-a-pouco adentrar sobre meus olhos aquele tom morto, amarelo pastel. Não demora a se esconder, receoso, por traz de toda a fumaça branca que cobre o céu gelado. Levanto-me logo, antes que não resista ao charme daquela cama insasseada de minha presença.
Respirei o ar gelado dessa cidade com tanta intensidade como se estivesse em casa, sentindo uma necessidade enorme de sobrevivência; sede de dia-a-dia. Tomei café com as paredes, calada, já sabendo de antemão que elas muito escutam; o café me desceu rasgando a garganta como se estivesse engolindo espadas, dez , por uma só vez.
De fato acordei, junto ao segundo sol. Me pintei tentando assim dar cores ao dia palidamente amarelo. Vou direto no telefone, a dias tão esquecido, com esperanças de novidade: "Bom dia". Foi o que pude logo notar, rapidamente me surge no rosto franzido de noite mal dormida um sorriso de sol, tão quente e brilhante mas ao mesmo tempo tímido.. então quem era aquele sol que tanto se escondera, próximo deste sorriso que tão logo abriu o dia. Era suficiente, uma mensagem, pequena e boba. Suficiente para me sentir lembrada em sonhos por tanto tempo abafados em quatro paredes.
Nesse lugar todo dia é uma novidade, hoje foi o marasmo, diazinho com gosto de preguiça. As nuvens brancas e pesadas tomaram conta da cidade com tamanho egoísmo deixando no ar aquele vento de causar arrepios, vento que tanto me incomodavam. Saí em tentativa falha de romper a tensão já clara nessas ultimas manhãs. Recuso-me logo a entregar a esse mau-humor de segunda feira, e sigo com nostalgia de ser feliz! Com o telefone na mão, trocando sorrisos e brilhando olhares.
Nenhum comentário:
Postar um comentário