terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mentiras sinceras

Como me conforta esse calor, esse colo, esse braço que se molda perfeito aos meus. O sorriso que solta sem querer nos momentos mais inoportunos, as piadas, as bobagens... É que eu já sei de cor essa tua mania de se prender aos meus olhos junto a cada lembrança; de cada dia arrancar à garras uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã. É que esse seu jeito me encanta e me perde feito tola. Cega os olhos.

É que eu não me contento em tê-lo fresco na memória apenas no momento que levanto. Em ouvir tua voz por horas e horas, re-construindo teu dia, passo-a-passo, até que comece a fraquejar, a amolecer, tentando disfarçar com pouco profissionalismo o sono que chega tão rápido. E (re)começa.
Uma rotina fantasiosa de ilusões, quase sempre cinza, um sendo-sem-ser pra disfarçar o óbvio.

Desanimei, confesso! Poupei-me de ver da janela essa tonalidade morta que vem cobrindo o céu e trazendo maus lençóis. É o tempo, meu caro. É ele que não permite enxergar se quer um palmo à minha frente, e prever, como sempre, mudanças e desmudanças de planos... Mas deixe que ele passe, deixe que ele mude, que ele carregue este ar de enfado que tanto me atormenta. Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E nem que eu lute contra mim todos os dias, as coisas vão mudar.



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